quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pensamento do dia: Vem que a minha sardinha é mais gostosa

Saudações a todos os insanos que me lêem…hoje logo cedo (nem tanto) liguei meu computador e acessei o meu twitter e lá havia uma mensagem de um site/portal de psicologia desejando-me um “feliz ano novo… e em 2010 diga não ao ato médico, a luta continua”.

… logo me passou pela cabeça: que forma de desejar felicidades não?! Parece mais com os famosos cartões políticos de fim de ano: “felicidades e ano que vem conto com vc na urna”…enfim, logo me veio à cabeça: engraçado, toda profissão tem seu “ATO” e todas são “contra” a aprovação do “ato médico”, pensamento do dia: vem que a minha sardinha é mais gostosa.(!?!?)

Então decidi pesquisar pela net pra ver o que de novo há sobre tal ato e tentar ver quais são os principais questionamentos sobre o mesmo. Logo me detive em 2 pontos muito debatidos do ato médico:

Art. 4º – São atividades privativas do médico:

I – Formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;

§ 2º Não são privativos dos médicos os diagnósticos psicológico, nutricional e socioambiental e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva e psicomotora.

Uns vêem contradição entre as duas citações acima; eu vejo complementaridade.

E (tcharam!) eis que eu percebo a principal polêmica em torno da aprovação do ATO médico: a interpretação!

O Conselho Federal de Medicina formulou um texto que discute um pouco sobre essa polêmica “diagnóstica”, decidi compartilhar aqui no blog uma parte do mesmo:

II) Nem todo diagnóstico é diagnóstico médico

O argumento mais comumente utilizado por algumas profissões que se contrapõem ao projeto de lei do Ato Médico é o que diz ser este projeto prejudicial à sociedade ao considerar o diagnóstico das doenças uma prerrogativa específica dos médicos. Em primeiro lugar, é necessário divulgar que nenhuma das outras profissões da área de saúde, à exceção da Odontologia, possui a prerrogativa de diagnosticar doenças. Todas as demais, em suas leis, participam da assistência à saúde de modo e maneira bem específicos, sem qualquer referência ao diagnóstico de doenças. Cada profissão detém suas possibilidades diagnósticas definidas na legislação que as instituiu. E isso se conservará intocado, mesmo com a aprovação da lei dos médicos.


Em segundo lugar, é preciso diferenciar o que seja o reconhecimento de um estado doentio e o diagnosticar doenças, com o sentido estrito de diagnóstico médico. Tome-se, por exemplo, uma avó de uma grande família. Por sua experiência e por já ter visto diversas situações anteriores, algumas delas confirmadas por médicos, ao se defrontar com um neto apresentando febre alta, tosse com catarro purulento, dor no peito e prostração, ela, por certo, será capaz de identificar uma possível pneumonia – o que simplesmente explicita o reconhecimento de um estado mórbido. Do ponto de vista profissional, diagnosticar implica possuir competência técnico-científica para proceder ao diagnóstico diferencial entre os diversos tipos de pneumonias, bem como as demais infecções respiratórias, e prescrever o tratamento de modo profissional, como uma modalidade de trabalho social reconhecido e autorizado. Este ato implica efetivo conhecimento da fisiopatologia, capacidade de realizar exames comprobatórios e profundo saber em farmacologia para proceder ao tratamento adequado, além de conhecimento científico para, frente a uma intercorrência, adotar as necessárias alterações de conduta que o caso possa exigir. E ter autorização legal para exercer aquela atividade profissionalmente.


O diagnóstico médico, procedimento profissional típico da Medicina, não deve ser confundido com outras modalidades de atividade diagnóstica de outras profissões (que podem ou não ser compartilhadas com os médicos), como o diagnóstico fisiológico, o diagnostico psicológico ou qualquer outra modalidade de diagnóstico que a lei atribua a outra profissão.


Diagnóstico fisiológico ou funcional consiste na identificação do rendimento de uma estrutura ou função somática. Diagnóstico psicológico ou psicodiagnóstico corresponde ao diagnóstico funcional no terreno da conduta e do psiquismo. Permite identificar traços ou tipos de personalidade ou características de conduta de alguém. Nenhum destes casos envolve o diagnóstico de doenças.

Minha opinião?

Com certeza existem erros. Com certeza existem acertos. Com certeza a discussão é válida, mas somente para que se chegue a um denominador comum , que satisfaça de alguma forma a todas as diferenças e à sua maior vítima: o povo.

O que me intriga mesmo é tanta polemização em torno de um ato que regulamenta a profissão médica. Não vejo como radicalismos possam solucionar esse problema, a começar pelo próprio slogan “Não ao ato médico“; é muito mais extremo do que sua justificativa. É negar TODA a regulamentação de uma profissão milenar, afinal de contas, as palavras têm força!

Tanta polemização extremista em defesa da sociedade? Do SUS? Ou seria o extremismo a alegoria adotada pra gritar o não dito? Vai saber né, só sei que para mim extremismos cheiram a egos feridos!

…Aaah já ia esquecendo, FELIZ ANO NOVO a todos, 2010 realizações para todos no ano que está chegando e muito sucesso.

Um comentário:

Hugo disse...

Falou tudo nesse texto Zidane!!!!!

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