terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em ritmo de galope


Em seu livro Imagery in healing, Jeanne Achterberg (1985) oferece ótimos exemplos das maneiras nas quais as expectativas influenciam o resultado no campo médico/físico (quem dirá no médico/psicológico). Ela relata uma história do livro de Norman Cousins, The healing heart, sobre um paciente criticamente doente, cujo músculo cardíaco estava irreparavelmente comprometido e com quem já haviam se esgotado todos os recursos terapêuticos. Durante as visitas seu médico mencionou à equipe que o paciente tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, na verdade um sinal de patologia importante. Vários meses mais tarde, o paciente foi fazer o check-up e sua recuperação havia sido fantástica. Ele contou ao seu médico que sabia o que havia feito com que ele melhorasse e exatamente quando isso ocorreu: 
"Na quinta-feira, pela manhã, quando você entrou com sua equipe, aconteceu algo que mudou tudo. Você escutou meu coração; parecia satisfeito com o que ouviu e disse a todos que estavam em volta do meu leito que eu tinha um batimento cardíaco em ritmo de galope, logo supus que eu deveria ter um coração muito forte e, portanto, não poderia estar morrendo. Soube naquele instante que iria me recuperar."  

Como o que esperamos influencia o que recebemos, uma terapia voltada para a solução mantém as pressuposições que intensificam a cooperação paciente-terapeuta, confere poder ao paciente. As predisposições das expectativas dos terapeutas, não importa se positivas ou negativas, influenciarão o curso e o resultado da terapia. Os pacientes têm recursos e forças para resolver suas queixas; é tarefa do terapeuta abrir caminhos para essas habilidades e colocá-las em prática.

* Texto extraído e adaptado de Hipnose e Psicoterapia Breve - módulo básico - Instituto Erickson de Maceió.    

2 comentários:

Camila Sousa de Almeida - CRP: 03/6243 disse...

Se o mundo soubesse usar melhor a voz...

Fim do Mundo disse...

Quando leio ou ouço declarações sobre curas surpreendentes, só aumentam minhas dúvidas sobre o alcance da 'ciencia' médica.
As razões que levam a uma recuperação otimizada são desconhecidos da medicina, assim como a razão pela qual algumas pessoas desenvolvem certas patologias que não podem ser atribuidas a habitos de vida ou genetica tidos como causadores de tais doenças.
Enfim, atribuir AFIRMAR causa e efeito sem conhecer por completo a dinamica fisiologica do animal humano é, sem dúvida alguma, uma falacia.

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